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Depressão: considerações em Psicologia Clínica

Por: Eliane Domingues Carbone

CRP 06/45999

Desde o nascimento, nossa identidade é construída pelo contato com os outros e pela memória que agrupa como esse contato foi desenvolvido no decorrer da vida.

Ao nascer somos arrancados de forma inesperada para um lugar com características, sons e ambientes completamente desconhecidos e, imediatamente somos forçados a respirar e encarar essa nova realidade. Podemos pensar então, que a sensação de ter “perdido o chão” vem desde muito cedo em nossas vidas.

Contra essa sensação de desamparo e solidão, nosso psiquismo desde muito cedo, permanentemente nos sustenta estabelecendo laços perante nós mesmos e os outros. Quando acontece o rompimento dessa rede de amor que nos dá a sensação de amparo: surge a depressão (que pode iniciar após um evento traumático: acidente, abandono, luto de um ente querido, violência, abuso ou desemprego).

O psiquismo deixa entrever então, o vazio que nos cerca. É o momento de um enfrentamento insuportável com a verdade. Algumas pessoas conseguem evitar esse enfrentamento a vida toda, outras conseguem sair destes momentos difíceis. Mas há os que não conhecem outro modo de existir e como trapezistas, oscilam no ar sem nenhuma rede protetora embaixo deles.

Quando a depressão chega degrada a pessoa e acaba com a capacidade de dar ou receber afeição. É a solidão dentro de cada um que se manifesta destruindo a capacidade de conexão com as outras pessoas.

Em uma sociedade em que as formações discursivas apagam o sujeito do inconsciente, em que a felicidade e o sucesso são imperativos, a depressão emerge como sintoma do mal-estar produzido e oculto pelos laços sociais.

O vazio depressivo, que em muitas circunstâncias pode ser compensado pelo trabalho psíquico, é agravado em função do empobrecimento da subjetividade, característico das sociedades consumistas e altamente competitivas.

Por isso, o aparecimento de pacientes depressivos tem aumentado nos últimos anos e, com um trabalho clínico centrado no sujeito e não na depressão, resultados importantes e significativos surgem, principalmente por estar ancorado na formação inconsciente, em como funciona essa rede de proteção humana, tão especial e importante: a identidade de cada um.

O atendimento clínico psicológico é recomendado tanto em casos de depressão, ansiedade e estresse, também como tratamento profilático, evitando em muitos casos, o desenvolvimento de doenças orgânicas mais graves.

O objetivo deste trabalho clínico é atender o ser humano presente, independente do rótulo por ele anteriormente recebido (neurótico, estressado, deprimido ou ansioso), propiciando o contato consigo mesmo e possibilitando sua re-organização para que tenha mais integridade e auto-estima.

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