Atendimento

 

 

> Fisio Saúde - Estúdio de Pilates e Consultório de Fisioterapia

Unidade I  Rua Aurora Soares Barbosa
Nº73 - V. Campesina- Osasco / SP

 

 

(11) 2877-8977 / 4237-1428 / 8369-2704

 


> Consultório de Psicologia

Rua Caetés- Perdizes/ SP

 

 

(11) 3865-0531

 

 

 

contato@promocaodasaude.com.br

 

 

Artigos

 

Psicanálise e Medicina: uma visão diferencial do sintoma

Por: Eliane Domingues Carbone

CRP 06/45999

Em psicanálise, o sintoma surge de uma maneira diferente de um distúrbio que causa sofrimento: ele é, acima de tudo, um mal-estar que se impõe ao ser humano, além dele e o interpela, o aborda.

O sintoma é um ato involuntário, produzido além de qualquer intencionalidade e de qualquer saber consciente. É um ato que menos remete a um estado doentio do que a um processo chamado inconsciente.
O sintoma é uma manifestação do inconsciente.
Psicanaliticamente, o sintoma não representa coisa alguma como na medicina. Trata-se de uma manifestação do inconsciente, uma verdade que se anuncia, uma verdade colocada em forma “conhecível”, observável.
O inconsciente é um saber, um processo ativo que não para de se exteriorizar através de atos, acontecimentos ou palavras através da repetição. Desta forma o sintoma é tanto dor quanto alívio, tanto sofrimento para o eu quanto alívio para o inconsciente.

MEDICINA E PSICANÁLISE

A psicanálise não é um ramo da medicina, ela é um procedimento que opera segundo princípios próprios.
Ao médico cabe aliviar, tanto quanto possível, o sintoma; ao psicanalista cabe a tarefa de criar e manter as condições da situação analítica, a fim de que o paciente, no seu ritmo e com suas características próprias, possa dar livre curso às suas associações e as modalidades do vinculo que lhe são peculiares.
Quanto ao trauma há uma leitura médica, ao modo da traumatologia, segundo o próprio termo convida. No sentido psicanalítico, o trauma sugere uma lesão provocada na psique em resultado de uma experiência significativa.
Comumente, a idéia aproximada do trauma, enquanto circunstância que golpeou o equilíbrio de um sujeito, que apareceu repentinamente, como algo que fraturou, traumatizou, é comovedor e atrai a atenção pelo dano causado, pelo nascimento do sintoma.
O objeto de investigação da psicanálise não é o sintoma ou a queixa, e sim o sujeito, uma pessoa singular e única e irreprodutível. A psicanálise se interessa pela significação inconsciente, e esta significação precisa ser, necessariamente, construída a cada vez, sem seguir roteiros de interpretação pré-estabelecidos.
A psicanálise é mobilizada pela crença de que cada um pode se questionar. Algo de novo tem de ocorrer ou tem que ser concebido em todo aquele que se propõe a atravessar um processo psicanalítico.
Segundo Lacan, J. (1954), a análise é uma técnica da palavra, e a palavra é o meio mesmo no qual ela se desloca. Toda palavra formulada introduz no mundo o novo da emergência do sentido. Não é que ela se afirme como verdade, mas antes que introduz a dimensão de verdade.
A clínica psicanalítica, freqüente recebe pacientes cuja demanda circunda-se de algumas condições: que a análise seja rápida, que a cura venha logo. Pedem estratégias para encurtar a análise ou deixa-la menos dolorosa e mais garantida. Procuram um tratamento curto, rápido, eficaz e indolor.
As expectativas de cura, em sua maioria trazem uma certa semelhança com a cura que se espera que um médico ofereça: o desaparecimento total e completo da doença, a extração definitiva do incômodo ou sintoma. Este é um modelo clássico da medicina, segundo o qual um paciente é curado a partir do que pode ser detectado visivelmente pelo médico. O diagnóstico dado ao paciente corresponde a determinado tratamento, a partir do qual obtém-se a cura.
Em geral, procuram psicanálise como se procurassem um medicamento. Esperam ser diagnosticados, rotulados e curados de forma mágica.
Estes pacientes procuram uma cura ou melhora que inclui, como resultado a conquista da completude, a ausência de problemas práticos ou existenciais e a remoção dos mais variados conflitos.
A clínica lacaniana por sua vez não se sustenta nem na utopia da completude ou promessa da felicidade eterna. Ela sugere uma nova possibilidade de realização subjetiva.
A cura para a psicanálise, não é o resultado. A cura não é um estado negativo do mal-estar, nem um conjunto de condições objetáveis o qual se alcança como meta.
Como processo, a noção de cura em psicanálise talvez se aproxime da idéia de cuidado, ou ainda de extração. Nessa acepção de cura o tempo é um dos ingredientes insubstituíveis. O tempo da experiência, do trabalho através de, como indica a expressão elaboração, não é o mesmo tempo da eficácia da velocidade. Para a psicanálise, não interessa um corpo de carne e osso, mas um corpo tomado como conjunto de significantes. Ou seja, enquanto a ciência médica cuida do corpo anatômico, observável sob a dimensão biológica e funcional, por outro lado, a psicanálise tem seu recorte na dimensão do corpo erógeno.

Concluindo: “O corpo está no centro da vida psíquica“.

‹ Voltar