Mídia: Os (d)efeitos desde a infância e a importância do atendimento clínico
Por: Eliane Domingues Carbone
CRP 06/45999
A palavra mídia vem do latim (médium) que quer dizer: meio, espaço intermediário. Desta forma, pode-se traduzir mídia como o meio de campo, o que une um lado e outro.
Atualmente, a televisão é o meio de comunicação mais abrangente e assistido, independentemente do poder econômico, faixa etária, classe social, ocupação ou nível intelectual.
Meio de campo, que une um lado e outro, como descrito acima, a televisão é marcada por relações comerciais, que lhe garantem a sobrevivência. Com seu poder de ação, ela dita modas, norteia os assuntos do dia, marca épocas, determina prioridades, enfoca as áreas de interesse e estabelece as relações de consumo entre pessoas.
É pela televisão que a criança aprende a consumir: frente às prateleiras especialmente preparadas nos shoppings, nos hipermercados e até mesmo nas drogarias, o elo entre consumidor e produto é romanceado, tem um som próprio e é colorido, identificando “aquele produto” como imprescindível à entrada do grupo dos que tem, dos que podem e dos que dominam aquele tema conduzido pela televisão.
Desde cedo começam a consumir para mostrar, ter para existir, comprar para fazer parte, adquirir para constituir-se. Porém, o produto depois de adquirido sempre tem seu brilho ofuscado, e o novo produto exposto sempre é o mais ofuscante. Há lançamentos de novos produtos em velocidade máxima, retirando o valor mítico do que já está instantaneamente ultrapassado.
Há também, um desencontro natural no ser humano. A religião, a família e a escola ensinam na teoria a importância do equilíbrio e, em contrapartida, a prática ensina que para integrar-se ao grupo, ele deve ser compulsivo como rege o mandamento da massificação. Este paradoxo se concretiza principalmente, quando encontra a impossibilidade do seu pressuposto, ou seja, quando se gasta mais do que tem.
Não é no consumo de um produto que o ser humano, conforme a mídia declara, encontra sua “felicidade e completude”. Aliás, pode encontrar também muita dor de cabeça e descontentamento.
Atualmente, stress, desamparo, angústias, desilusões e isolamento podem ser resultado da sobrecarga de cobranças e imposições incoerentes, feitas ao ser humano, principalmente aos pré-adolescentes e adolescentes, deixando os pais decepcionados e perdidos.
É, pensando neste ser em formação (todos são seres em formação: pais e filhos, independente da idade) que um trabalho psicológico com abordagem psicanalítica pode abrir questões desta ordem, propiciando que outras surjam e possam ser trabalhadas com e pelo paciente, visando a apropriação dele próprio, identificando-se como sujeito.
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