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Dor Crônica: O Possível atendimento clínico

Por: Eliane Domingues Carbone

CRP 06/45999

Segundo a Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP) a dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável, associada a um dano real ou potencial dos tecidos, ou descrita em termos de tais lesões.

De acordo com TEIXEIRA, M. J. (2006, p. 9) “a dor aguda sinaliza ocorrência de lesão e, portanto, apresenta valor biológico fundamental de defesa que alerta para a ocorrência de lesão tecidual em vias de se instalar ou já instalada, induzindo no indivíduo reações de defesa, de fuga ou de remoção do agente causal. Entretanto, a dor crônica despe-se desse valor biológico: corresponde a mecanismos de adaptação, especialmente musculoesqueléticos e psicocomportamentais, que induzem à incapacidade e a repercussões biopsicossociais desfavoráveis” [grifo meu].

A dor crônica gera sofrimentos, compromete a qualidade de vida, acarreta perdas materiais e sociais, limita as atividades físicas, altera possibilidade da experiência de prazer e de sono. Além de levar ao descrédito pela intensidade da dor e a falta de lesões e alterações detectadas nos exames.

Em geral, pacientes com dores crônicas percorrem Hospitais, Instituições, Clínicas e Consultórios em busca de um novo tratamento, medicamento, profissional, exame, diagnóstico, procedimento, cirurgia ou procedimento que indique uma solução imediata e permanente ao quadro doloroso.

O trabalho isolado dos profissionais de saúde especializados em tratar patologias dentro de suas formações acadêmicas e práticas clínicas, não apresenta a forma adequada para que este paciente em particular encontre formas de lidar com o quadro doloroso instaurado e todos os comprometimentos, limites, perdas e descréditos adquiridos.

A psicologia clínica tem contribuído muito no trabalho com portadores de dores crônicas, trabalhando de forma efetiva no posicionamento do paciente que inclusive, em muitos casos, tende a diminuir a medicação e aderir ao compromisso com quem foi esquecido: ele mesmo.

Vale ressaltar, que a psicologia clínica possibilita o ingresso a um atendimento diferenciado, que deve contar com uma equipe especializada, comprometida com o paciente, sua dor, seu sofrimento e sua história.

A troca de informações e reflexão acerca das diferentes especialidades sobre atuação, diagnóstico, atendimento e tratamento da dor crônica com o trabalho em equipe interdisciplinar além de buscar métodos e técnicas que aliviem a dor, tem como principal objetivo a auto-capacitação e a re-organização dos desajustamentos sociais, profissionais, psíquicos e familiares.

A interdisciplinaridade abre as fronteiras das especificidades médicas, fisioterapêuticas e psicológicas, promovendo com a discussão, a troca e a reflexão, os diferentes e específicos caminhos a serem empregados em cada paciente em especial, implicando-o como o principal membro da equipe.

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