Ansiedade: considerações em Psicologia Clínica
Por: Eliane Domingues Carbone
CRP 06/45999
A ansiedade é uma sensação decorrente da excessiva excitação do Sistema Nervoso Central conseqüente a interpretação de uma situação de perigo.
Os principais sintomas da ansiedade são: taquicardia, sudorese, tremores, tensão muscular aumento das secreções (urinárias e fecais) aumento da motilidade intestinal, cefaléia (dor de cabeça). Quando recorrente e intensa também é chamada de Síndrome do Pânico (Crise ansiosa aguda).
O Sistema Nervoso Central e a nossa mente necessitam de uma situação de conforto e de segurança para usufruir a sensação de repouso e de bem estar. Quando a nossa percepção nos alerta para uma situação de perigo a este estado acontece o estado ansioso.
No processo evolutivo, houve épocas em que os perigos de vida e a necessidade de luta eram uma constante e a excitação do Sistema Nervoso Central vinha como uma forma de estimular o nosso corpo para a luta ou para a fuga.
Hoje, interpreta-se como perigo a possibilidade de perder o emprego, o status, o nível de poder econômico, as relações amorosas, os filhos, as vantagens e os interesses.
A principal característica psíquica do estado ansioso é uma excitação, uma aceleração do pensamento, como se a pessoa estivesse planejando uma maneira de livrar-se do perigo da maneira mais rápida possível. Isto provoca confusão mental, ineficiência da ação, aumento da sensação de perigo e de incapacidade de se livrar do perigo o que configura um círculo vicioso, pois esta sensação só faz aumentar ainda mais o estado ansioso.
O corpo responde à ansiedade com a tensão, a necessidade de movimentar-se fisicamente (mexer pés ou mãos e inquietação em geral), a respiração acelerada e o pensamento agitado (muitas idéias passam pela cabeça de forma acelerada).
Em estados de desequilíbrio emocional, o simples contacto com o novo, com situações inesperadas e desconhecidas são o suficiente para disparar estados ansiosos.
Portanto, uma das características marcantes na prática clínica é a dificuldade de incorporar o desconhecido, como se o que é conhecido sempre trouxesse a sensação de segurança e controle. E o novo potencializasse a sensação de medo: algo ruim ou perigoso pode vir á acontecer.
Traumas de infância, grandes sustos, perdas afetivas e materiais podem ser considerados em muitos casos, como desencadeadores de quadros ansiosos importantes e, a tentativa de se livrar deste mundo de sensações e sentimentos poderiam causar transtornos como: transtorno obsessivo compulsivo, transtorno ansioso, transtorno fóbico, transtorno hipocondríaco ou transtorno histérico.
Para lidar melhor com a ansiedade o primeiro passo é identificá-la e, na prática clínica com atendimento psicológico esta identificação é facilitada com a abordagem psicanalítica.
Aceitar, refletir, voltar, conhecer, entrar em contato com o novo que não se inscreve e fazer com que o sujeito reconheça as possibilidades para lidar com o real, o simbólico e o imaginário, é trabalho da clínica atual.
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