Adolescência e a Clínica Psicológica
Por: Eliane Domingues Carbone
CRP 06/45999
A palavra “adolescer” vem do latim adolescere e significa crescer, desenvolver-se, engrossar, tornar-se maior, atingir a maioridade. Compreendendo o período do crescimento humano usualmente situado entre o início da puberdade (período de mudanças fisiológicas, que culmina com o desenvolvimento dos órgãos sexuais) e o estabelecimento da maturidade adulta (que efetiva a possibilidade da procriação).
Em termos de desenvolvimento, o período caracteriza-se pela transição do estágio infantil para o estágio adulto de inúmeras funções, que abrange principalmente, as sexuais. Incluindo, portanto, mudanças no corpo assim como, o desenvolvimento de capacidades intelectuais, interesses, atitudes, tais como: agressividade, irritabilidade, rebeldia, isolamento e ansiedade.
Além dos problemas com drogas, violência e criminalidade que são de fácil acesso deste período. Conflito, desrespeito, desencontros, desamparo e stress emergem e os adolescentes, a família (em especial os pais), os professores (e toda a instituição escolar), enfim, toda a rede de relacionamento é provocada a observar-se questionando dúvidas e certezas ambivalentes.
O adolescente tem de elaborar lutos pela perda do corpo e da identidade. O movimento de formação de grupos de estabelece como uma conseqüência do distanciamento e do movimento de separação das figurar parentais. Neste momento, ocorre a busca dos semelhantes, o processo de se identificar de uma maneira intensa. O grupo é o grande porto seguro para o adolescente em transformação. Porém, esses grupos, muitas vezes desestabilizam os pais que perdem a direção e esbarram na indecisão e desconfiança. E, não é somente o adolescente que ira elaborar lutos, mas seus pais também, luto pela perda da infância, luto pelo descontrole dos filhos. Há uma mudança no discurso individual e familiar.
Culpar os pais ou algum membro da família por crises adolescentes, é um erro, mas, esse erro não deve ser substituído por outro erro maior que é ignorar a dinâmica familiar e o reconhecimento do papel imprescindível que as fantasias e o inconsciente dos pais exercem na estruturação do psiquismo dos filhos.
É na medida em que educadores, pais e filhos não conseguem manter uma relação equilibrada, que a clínica psicanalítica pode mostrar de que forma estas mudanças podem sugerir possibilidades de crescimento e ganho subjetivo enquanto constituição do sujeito.
Tomando o ser humano não só como produto histórico, biológico, psíquico e social o trabalho de atendimento em clínica psicanalítica, oferece um desmembramento de todo este contingente para que se enfoque o sujeito, o sujeito inconsciente, com suas próprias questões.
A clínica da Psicanálise não é uma clínica voltada para o tratamento de sintomas ou que se volte para especificidades históricas. Propiciando assim, a oportunidade de um crescimento diferenciado não só ao adolescente, mas, principalmente aos pais, que aproveitam o atendimento também para tratar de suas próprias questões.
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